sábado, 24 de maio de 2008

A etiqueta do debate em debate (II)

Não adianta nada saber qual cerveja pedir durante um debate se você não tem a menor idéia de como agir em relação aos outros debatedores, enquanto pessoas humanas, a nível de se permitir o exercício intelectual. A atenção aos detalhes é fundamental. Se alguém à mesa disser, de saída, "Eu tenho lido bastante Lacan", por exemplo, como conter a vontade de atirar o prato de tremoços na cara do cidadão? Como não jogar um copo de cerveja no colo de um sujeito que diz "O Pierre Bourdieu já previa isso..."? Dá para não cuspir na cara de um malufista?

Estas e outras respostas você encontrará no Debate em Debate. E o melhor de tudo: não precisa assinar o RSS, comprar um CD do Ney Matogrosso por apenas 11,90 nem, muito menos, começar a colecionar os fascículos. A trolha entra, com areia, agora mesmo:

O "vai tomar no cu" teórico:
"Você não deixou os 10% ontem, filho da puta". Esse argumento é absolutamente devastador em uma mesa de debatedores sérios e de alto nível. É o "vai tomar no cu" teórico, construído por uma combinação de capitalismo selvagem e absoluta inabilidade matemática do oponente. Quer dizer: o sujeito consegue dar um nó tático intelectual - afinal, quem consegue, de fato, calcular os 10% de uma conta filosófica? - e, ao mesmo tempo, enfiar um "filho da puta" com um sorriso no rosto, que significa "Não tem importância, mas faz isso de novo e eu te quebro a cara, como tua mulher e cuspo no teu Mitsubishi Eclipse 1992."

Quem sabe da minha vida sexual é o Freud:
Tem um pessoal aí que já chega à mesa de debates dizendo "Comi, mas não fui eu". Toda a culpa da perversão sexual acontecida ou por acontecer cai nas costas do Freud, um sujeito que vivia com um charuto na boca e uma idéia na cabeça. "Eu acho válido", diria o Richarlyson. Aí vai de cada um, mas Debate em Debate recomenda que você mantenha entre quatro paredes aquilo que faz com sua mulher, uma cabra, dois cachorros e oito anões besuntados.

Corolário de Carlinhos Bala:
"O negócio é bola na rede, quer dizer, a epistemologia não é nada que tenha tanta importância quanto a experiência empírica de marcar um gol contra o Inter na Ilha do Retiro. Entendeu?"

Debate em Debate não apenas entendeu, como segue de forma regular, rígida e, ouso dizer, ereta os ditames de Carlinhos, o Bala.

No próximo capítulo, o que fazer quando seu oponente, caindo de bêbado, ameaça dar o cu para o garçom a fim de demonstrar que sua argumentação sobre o homossexualismo faz sentido. Não percam!

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