segunda-feira, 19 de maio de 2008

Política econômica: “Agora o pessoal só leva bisnaguinha”

Dom Sebastião, que entende o sofrimento do padeiro contemporâneo

Em entrevista exclusiva, explosiva e extemporânea ao D em D, o sr. Manuel Soares Pinto, dono da padaria Orquídea da Colina, abre o jogo sobre a política econômica do governo Lula, detona o presidente do Banco Central e analisa o peso da Farinha Anaconda nas avaliações do Copom.

Debate em Debate: Sr. Pinto, como o senhor enxerga a condução da política econômica pelo Banco Central sob o comando de Henrique Meirelles?

Manuel Soares Pinto: Com os olhos, ora essa. E teria eu outra forma de enxergar, oh gajo?

D em D: Sim, sim, mas, seu Pinto, o sr. acha que a política econômica está no caminho certo?

Pinto: Ah, não senhor... De maneira alguma... (sorri nervoso) Veja bem que quando era o Delfim, o bolo estava a crescer. E se o bolo está a crescer, é bom sinal para o meu ramo, hein? Depois de um tempo veio o plano Cruzado, que me arrancou até as calças. Ninguém comprava mais nada, eu passava o dia a ouvir “Um saco de leite C, um saco de leite C”. Se oferecias um leite B o gajo já quase tinha palpitações no coração.

D em D: Por quê?

Pinto: Ora essa, pelo preço, é evidente. O senhor por acaso é estúpido?

D em D: Vamos à próxima pergunta. O que mudou na sua padaria com a entrada do Meirelles no BC?

Em primeiro lugar, eu não tenho padaria...

D em D: (pasmo) Não?!?

Pinto: O que eu tenho é uma panificadora, o senhor trate-me com respeito. Em segundo lugar, não estás a ver que é uma questão muito mais ampla? Não é a minha padaria que sofre com o Meirelles. Não sou só eu que sofro todos os dias com isso.

D em D: Ampla em que sentido?

Pinto: Ampla porque o Joaquim da Flor de Madureira também está a passar um aperto daqueles. Imagine o senhor que não conseguimos mais comprar duas garrafas de vinho verde para tomarmos depois do expediente.

D em D: Caiu o consumo?

Pinto: Se caiu? (gargalhadas desbragadas. Seu Pinto mija de tanto rir. Vai ao banheiro, troca as calças por um saco de farinha de trigo semi-vazio e retorna ao balcão para concluir a entrevista). Agora o pessoal só leva bisnaguinha. Antes eu vendia cada cacetinho...

D em D: Cacetinho?!

Pinto: Ah, desculpe. Eu morei um tempo em Porto Alegre, isso às vezes ainda me afeta.

D em D: Entendo. Uma pergunta para encerrar: Qual é a influência no mercado financeiro do fato de a Portuguesa não ser mais patrocinada pela Farinha Anaconda e pelos Armarinhos Fernando?

Pinto: A Farinha Anaconda e os Armarinhos Fernando não abandonaram a Lusa. O mercado sabe disso e continua confiante.

D em D: Não abandonaram? Como não abandonaram?

Pinto: O senhor não sabe de nada. Os bastidores do Canindé são mais fortes do que Dom Sebastião e Éder Jofre juntos. Com licença que preciso atender aí o outro cavalheiro. Um maço de Derby e 8 pãezinhos? Pois são 7 reais e 20 centavos, faz favor.

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